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Desenho e o “talento”!

Desenhos de nossos alunos de desenho básico, desenvolvidos em aula em 2018.

 

incontáveis são as visitas e ligações que recebemos no dia-a-dia aqui do Animator, oriundas de papais, mamães, vovós e titios, que nos procuram e relatam sobre seus pequenos prodígios. “Ele nasceu com esse dom, quero estimular”; “tem muito talento, puxou do vovô”... e por aí vai. Todos queremos ser especiais e acreditar que nascemos com super-poderes. Oposto a isso, também temos aqueles que relatam ter muita vontade de aprender a desenhar, mas “não levam jeito para a coisa”.

Aqui no Animator, acreditamos que desenhar é uma aptidão que requer estudo e muita prática. Sei que muitos discordam disso. Porque queremos acreditar que aqueles que desenham são especiais ou, que nossos pequenos nasceram com um dom predestinado. E é verdade que algumas pessoas já nascem com mais habilidade que outras: melhor coordenação motora, melhor capacidade de observação, mais gosto, mais concentração, isso é fato. Mas isso não quer dizer que estes são os únicos dotados da capacidade de aprender.

Me lembro há uns 15 anos, na faculdade de ilustração, ouvi um professor dizer que “talento é apenas 10%” e isso gerou um rebuliço na sala de aula. Foi a primeira vez que ouvi isso. Na época eu não poderia crer que, qualquer um poderia aprender a desenhar. Mas durante esses 15 anos que passaram, principalmente, durante os 13 aqui no Animator, ensinando crianças e adultos, tive vários exemplos da veracidade dessa indagação. Realmente, o que mais importa, na hora de se aprender é o esforço, a dedicação. É treino, é prática. Inúmeras crianças que chegam com pouca habilidade, quase nenhuma noção espacial, ou controle de sua própria força ao segurar um lápis, evoluem e chegam a excelência, por conta de sua vontade e dedicação!

Sim, vontade é o que mais valorizamos em um aluno! Um aluno com vontade, se concentra, se dedica! E da gosto de ver sua evolução!

Talento é uma palavra que julgamos perigosa, porque quando dizemos a uma pessoa que ela tem talento, ela pode acreditar que não precisa se esforçar. No entanto, a prática do desenho precisa ser constante, até que se conquiste qualidade! E mesmo assim, o estudo nunca termina. Mesmo para quem tem facilidade! É preciso treinar o olhar para perceber o mundo e desenhar o que se vê.

Temos tendência a desenhar de acordo com as nossas referências. Por exemplo, se está desenhando uma cadeira, você será influenciado pela referência mental que tem de uma cadeira, porque você sabe o que é uma cadeira e já viu cadeiras de toda espécie. Quando aprendemos a observar as coisas, podemos então representá-las de acordo com sua realidade.

Ah! Mas para isso, precisamos desenvolver outra aptidão: a capacidade motora do desenho, além da percepção, das proporções, a forma, a luz, a sombra, as texturas...  desenhar requer uma série de aptidões. Se trata de treinar o olhar e fazê-lo trabalhar em harmonia com as mãos. E para tanto, é preciso praticar, porque o movimento de repetição, que fará sua mão aprender a se movimentar de acordo com o que o olho quer expresaar e adquirir a memória muscular do movimento para qual quer representar em seu desenho.

Quando se está praticando, é como se estivesse na academia, exercitando os músculos, ou aprendendo um novo esporte. A sua perna precisa aprender a chutar uma bola e não basta que o seu olho veja e seu cérebro entenda o movimento. É preciso tentar uma, duas, três, ou quantas vezes forem necessárias para se conseguir aprender a executar corretamente. Com desenho não é diferente. Quanto mais se pratica, melhor fica! É do mesmo jeito quando uma criança aprende a escrever. A mão ainda não sabe fazer aquelas letras. Não sabe quando vai para cima, ou para baixo, quando tem barriga, ou perninha. Aquilo não lhe é familiar. E para aprender, é preciso riscar e repetir, passar por cima, copiar... até que aquilo se torne automático. Um adulto quando escreve, nem se dá mais conta do movimento que sua mão está executando, porque já aprendeu aqueles movimentos, já adquiriu memória muscular.

Ah! Mas aí você deve estar se indagando que, uma pessoa pode até aprender a desenhar, mas nunca chegará a ser um Picasso. Bem, isso não podemos garantir, mas sabemos que Picasso estudou muito até achar sua linguagem, seu estilo para poder criar! Mas isso é assunto para outra postagem... primeiro vamos nos concentrar no estudo do desenho clássico!  A criação, a expressão... isso vem depois.

E você mesmo, que nunca pensou que poderia, você que diz: “só sei desenhar boneco de palitinho”; ou você que quer dar ao seu filho a oportunidade de iniciar cedo nos estudos do desenho, não perca tempo e #vemproanimator!!!

Ps. Se você se interessou pelo assunto e quer estudar mais sobre o aprendizado de desenho, indicamos duas leituras: O livro da Betty Edwards, Desenhando com o lado direito do cérebro e o Dando vida a desenhos de Walt Stanchfield, volumes 1 e 2.